Histórico do movimento
  • Anos 40

Iniciativas pessoais de missionários comprando e vendendo artesanato
  • Anos 60

Início das campanhas de sensibilização sobre as desigualdades promovidas pelo comércio internacional
  • 1964/68

Conferência UNCTAD - “Trade not Aid” ou seja “Comércio, não Ajuda”
  • 1969

Primeira Loja de Comércio Justo (Holanda)
  • 1988

Lançamento da Marca Max Havellar – CJ vai além das lojas do mundo para chegar no varejo
  • 1989

Criação do IFAT – International Fair trade Association
  • 1994

Criação da NEWS – Network of European WorldShops
  • 1997

Criação da FLO a partir de 14 iniciativas nacionais (selo único)
  • 2000

Sistemas nacionais de comércio justo começam a ser desenvolvidos nos países do Sul (até então, somente produtores)
  • 2004

Comércio Justo certificado cresce 37% ano...

Nas décadas de 1940 e 1950, foram registradas as primeiras ações concretas em busca de soluções para os problemas da injustiça nas relações de comércio internacional e o tratamento abusivo de trabalhadores nas colônias dos países europeus no século 19. Todos os movimentos partiram de iniciativas pessoais de missionários levando artesanato comprado em países do Sul para vender em países europeus.


A partir de bazares e feirinhas organizadas pelas igrejas, foram surgindo, aos poucos, pontos de venda e depois, lojas. Primeiro, nas dependências das próprias igrejas e depois fora delas, mas sempre tocadas por pessoas ligadas a estas instituições. Para o sucesso das "worldshops" ou lojas do mundo, o trabalho voluntário e a solidariedade dos compradores foram fundamentais nesse estágio.

Desde o início da década de 1970 existiam iniciativas de se comprar produtos agrícolas diretamente dos produtores. Na Holanda, a "Fair Trade Organisatie" importou o primeiro café comercializado justamente de cooperativas de pequenos agricultores da Guatemala ("fairly traded"). Na Suíça surgiu a "Gebana" (de "gerechte Banane" ou "banana justa") em 1978, que abriu espaço nos supermercados para esse produto.

Em meados da década de 1980 o movimento recebeu um novo impulso. Um missionário, que trabalhava com pequenos produtores de café no México, e um funcionário de uma ONG com base religiosa, conceberam a idéia de criar um selo para identificar o produto com origem e princípios de Comércio Justo. A partir daí foi desenvolvida, por uma entidade holandesa, uma estratégia de apoio e comercialização, que culminou com a criação de uma marca de produto (trade mark): Max Havelaar, lançada em 1988. Com essa marca foi possível ir além do círculo restrito das "world shops" e entrar no varejo tradicional. A idéia pegou rapidamente. Em apenas um ano o produto com o selo da primeira entidade certificadora já detinha 3% de participação de mercado.

O modelo serviu de referência para iniciativas em outros países que até hoje são chamadas de "NI - National Initiatives". Alguns adotaram o nome Max Havelaar, outros introduziram marcas próprias, como "TransFair" na Alemanha, "Fairtrade Foundation" na Grã-Bretanha e "Rättvisemarkt" na Finlândia.

Em 1989, na Holanda, foi criada a "IFAT - International Fair Trade Association", uma rede global de organizações de Comércio Justo.

Nos anos 1990 o movimento cresceu consideravelmente, exigindo a harmonização de conceitos e dos vários sistemas de controle de selos nacionais que surgiram. Além disso, foi um período de integração de atividades e concentração de forças.

Em 1994, a efetivação da União Européia motivou os lojistas dos worldshops a criarem uma rede de cooperação e troca de informações, a "NEWS! - Network of European World Shops", que hoje integra quase 3.000 lojas, em 13 países.
Também em 1994 foi criada a "Fair Trade Federation", reunindo importadores, atacadistas e varejistas dos EUA e Canadá, e alguns de seus fornecedores, possibilitando apresentar hoje, em seu site, 116 lojas de varejo e 159 atacadistas especializados.

Em 1997, as então 14 entidades nacionais de certificação existentes à época criaram a "FLO – Fairtrade Labelling Organisations International", uma organização guarda-chuva internacional responsável pela certificação dos produtos, visando a harmonização, tanto dos critérios e processos para a certificação, como em relação à logomarca, ou seja, a identificação visual, a ser usada. Até então as entidades nacionais
de certificação de cada país trabalhavam com critérios e marcas próprias. Isso, além de confundir consumidores, resultava em superposição de trabalhos e custos desnecessários. Um selo único viria também facilitar o comércio em mais de um país, tornando o negócio mais viável para o lançamento de novos produtos.

Finalmente, em 2003, a nova marca global de Comércio Justo foi adotada por todas as Iniciativas Nacionais (com exceção da Suíça, EUA e Canadá), e em muitos países o nome "Fairtrade" já está complementando ou substituindo o nome inicialmente usado pelo selo local. Na Áustria, por exemplo, o nome foi mudado de Transfair Austria para FAIRTRADE AUSTRIA. Outras Iniciativas Nacionais estão caminhando na mesma direção.

 

Fonte: SEBRAE - Pesquisa Mundial de Comércio Justo - versão 2007