| Conquistas internacionais e dilemas domésticos do agronegócio |
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Data: 30/03/2010 A recente conquista brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), na antiga disputa sobre o algodão, e o reconhecimento da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) do etanol brasileiro revelam a força e o amadurecimento do agronegócio nacional. Parabéns aos diplomatas brasileiros, aos técnicos e executivos da Unica pela lição de como fazer valer um direito nas negociações internacionais e ocupar um espaço no acirrado e controlado mercado norte-americano. Informações técnicas, lobby e grandes investimentos articulados por uma inteligência sofisticada se reverteram em marcos da história do comércio mundial. Ao mesmo tempo, seguimos com as incertezas e os enfrentamentos domésticos sobre produção e meio ambiente, em que todos perdem. São situações paradoxais! Já expressamos neste espaço o nosso ponto de vista sobre o tema: a legislação ambiental, incluindo o Código Florestal, precisa de ajustes, mas a questão ambiental não é a mazela ou o fator determinante que oprime ou ameaça o agronegócio nacional. Novamente, há outras questões tão ou mais relevantes, como taxa de juros, taxa de câmbio, extensão rural, tecnologia, seguro rural. O Brasil tem tudo para ser uma potência agropecuária e ambiental. Uma dimensão não deve excluir a outra. Pelo contrário, deve ser articulada, num projeto nacional. Para tanto, precisamos da mesma sofisticação de inteligência, investimentos e lobby dos processos do algodão e do etanol. Obviamente é necessário haver uma política agrícola e ambiental que atendam aos objetivos de produção, geração de riqueza, emprego, renda e conservação no campo. Mas por que não? Por que simplificar que o meio ambiente é inimigo da produção em vez de usá-lo como indutor de inovação e protagonismo da agropecuária brasileira? Temos a possibilidade de unir as forças do agronegócio, da agricultura familiar e dos ambientalistas num projeto comum. Por que não pensar nesta utopia? É simples conciliar esses interesses? Não, mas é possível, se quisermos. E com esta conciliação, podemos conquistar muito mais. Temos casos concretos em que diálogos e acordos estão ocorrendo, como na Moratória da Soja, na iniciativa dos supermercados com a carne, nos pactos setoriais do Conexões Sustentáveis. Temos os exemplos de sistemas de certificação, como o do FSC, em que diálogos, muita negociação e acordos entre setores produtivos, ambientais e movimentos sociais criaram um selo de garantia socioambiental que abre portas dos mercados internacionais para produtos brasileiros e de outros países do sul. Os brasileiros dos três setores foram fundamentais na criação do FSC em 1993 e ainda ocupam um lugar de liderança na formatação e condução deste sistema. Portanto, é possível! Gostaria de concluir chamando a atenção para dois eventos que ocorrem na próxima semana. No dia 6 de abril, em Brasília, haverá um Seminário no Senado, organizado pelo Ipam, Contag, ISA, DIPV e Imaflora, com apoio da Frente Parlamentar Ambientalista; sendo transmitido ao vivo para 26 Assembléias Legislativas Estaduais. O evento buscará construir este diálogo e identificar as premissas básicas para conciliar a potência agropecuária com a socioambiental. Estaremos lá reforçando este ponto de vista. No dia seguinte ocorre a abertura da Feira Brasil Certificado, que ocorrerá de 7 a 9 de abril, no Centro de Convenções São Luiz, em São Paulo, organizada pelo Imaflora, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Imazon, FSC Internacional e Rede de Agricultura Sustentável. Lá teremos diversos empreendimentos florestais e agrícolas e das suas cadeias, com certificação socioambiental independente. O visitante vai poder conferir empresas madeireiras, do setor de papel e celulose, produtores de café, cacau, comunidades da Amazônia, cooperativas, indústrias de pisos, móveis, gráficas, supermercados, entre outros, que são produtivas, rentáveis e contribuem para a conservação ambiental e respeitam trabalhadores e comunidades. Um fórum de negócios de alto nível vai tratar dos mercados e das oportunidades e desafios para fazer parte deste movimento. Esperamos que todos percebam que fazem parte destas cadeias e têm a capacidade de influenciar decisivamente o que acontece no campo, por meio de suas opções de compra. Espero vocês lá! Luis Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia pela Esalq-USP, com diversos trabalhos publicados sobre certificação e sistemas de produção agrícola, é secretário-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). |





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