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Os Produtores

Os produtores estão no coração de todo o movimento. Eles produzem e exportam seus produtos, e devem estar organizados e integrados em associações ou cooperativas. Eles podem, e são até estimulados, a participarem do restante da cadeia do negócio.

Em Gana, por exemplo, existe uma cooperativa de plantadores de cacau que é sócia da empresa de importação, beneficiamento e comercialização do chocolate, no Reino Unido.

Os Traders ou Exportadores

Boa parte dos grupos de produção não tem experiência ou estrutura para cuidar dos aspectos logísticos e burocráticos da exportação de seus produtos. Em alguns casos, os grupos criam uma empresa para cuidar destas atividades, em conjunto com outras entidades de apoio ou não. Em princípio aumentar a cadeia de distribuição, parece um paradoxo em relação ao conceito de encurtar os caminhos até o cliente final, mas no comércio internacional é necessária a intervenção de um agente profissional para garantir o bom funcionamento dos negócios. Sua função prática, no entanto, deve ser a de um prestador de serviço e não a de um "trader" tradicional, que compra e revende visando maximização de lucro no processo. Essas empresas, normalmente, são também associadas à IFAT, sendo cadastrados como "traders".

Os Importadores

Os importadores, que também atuam como atacadistas e distribuidores, chegam mesmo a atuar diretamente, como varejistas. Muitos deles apóiam seus parceiros de produção e fornecimento de várias maneiras:
• Aconselham e apóiam tecnicamente no desenvolvimento de produtos.
• Oferecem treinamentos em várias áreas.
• Proporcionam apoio adicional em momentos de dificuldades econômicas e sociais.
• Antecipam pagamentos, financiando a produção.

Em seus mercados eles distribuem os produtos por meio das lojas especializadas, as "world shops", de grupos locais ou representantes, bem como do varejo tradicional, lojas de produtos naturais e orgânicos, lojas de presentes e decoração, supermercados ou venda por catálogo e internet. Alguns atuam também no segmento de catering, atendendo festas, cantinas e cozinhas de empresas. Os especialistas também atendem às indústrias alimentícias licenciadas que precisam de matérias primas Fair Trade para seus produtos que portam o selo da FLO.

Eles também promovem ou participam de campanhas de conscientização sobre assuntos de injustiça comercial etc. Nessas atividades integram e se articulam por meio de redes de troca de informações, com ONGs de desenvolvimento, agências de ajuda humanitária, centros educativos, dentre outros, e fazem lobby para promover mudanças também na esfera política.

As “world shops”/ Lojas do Mundo

As "world shops" ou "lojas do mundo", como já foram apresentadas anteriormente, são especializadas em produtos de Comércio Justo e, além dos produtos, oferecem informações e promovem encontros e eventos educativos sobre o assunto. Também promovem campanhas locais e regionais de lobby. Elas são organizadas principalmente por associações locais de pessoas motivadas por algo que se poderia chamar de "cidadania global". Apesar de, em geral, serem geridos como negócios, as "world shops" se orgulham de serem organizações sem fins lucrativos. Em muitas delas, boa parte do trabalho é realizado por voluntários.

Na maioria dos países, as lojas do mundo criaram Entidades Nacionais para facilitar a cooperação e a troca de informações. Estas, por sua vez, criaram a NEWS, entidade européia que congrega todas as associações nacionais de dessa lojas. Muitas são apoiadas por grupos locais de solidariedade.

De acordo com o estudo Fair Trade na Europa 2005, a distribuição das world shops pode ser visualizada no gráfico abaixo.

Os licenciados

Licenciados são as empresas que recebem da Iniciativa Nacional a licença para a produção e/ou comercialização de um produto de Comércio Justo. Estas empresas podem ser exclusivamente de Comércio Justo, como a Gepa, da Alemanha, ou a Café Direct, do Reino Unido, ou de produtos convencionais, de marcas tradicionais, como a Marks & Spencers, também do Reino Unido, que querem lançar um ou mais produtos de "Fair Trade". Para poder receber o selo terão de obedecer a todos os critérios gerais e específicos do produto e ainda pagar uma taxa anual de licença pelo uso do selo. Esta taxa irá financiar a fiscalização da empresa e de todo processo de produção, o pagamento justo etc.

Iniciativas Nacionais

As "National Iniciatives" ou Iniciativas Nacionais, apelidadas de "NIs", são as organizações de certificação e promoção do Comércio Justo que surgiram em vários países, começando com a Max Havelaar na Holanda, em 1988. Hoje são 20, sendo 15 na Europa mais os EUA, o Canadá, o Japão, a Austrália com a Nova Zelândia, e o México.

O México, como primeiro país produtor a ter uma Iniciativa Nacional, criou seu próprio sistema de certificação, embasado e reconhecido pela FLO, mas levando em consideração vários aspectos característicos da realidade mexicana. Desta forma ele procura promover seu próprio mercado interno. Hoje, o México é membro associado da FLO.

Os nomes das INs, variam em função de suas histórias de fundação. Como a Max Havelaar, da Holanda, foi a primeiro, alguns países contaram com seu apoio na implantação de suas estruturas e adotaram o nome. Um movimento similar aconteceu entre a Alemanha e o Luxemburgo, a Itália, os EUA, o Canadá e o Japão. Outros países criaram sistemas e nomes próprios.

As Iniciativas Nacionais são, normalmente, associações sem fins lucrativos. Elas são constituídas, em sua maioria, por entidades religiosas ou de desenvolvimento, cooperativas e entidades de proteção ao consumidor, de educação ou proteção ao meio ambiente e outras iniciativas de cunho social.

As tarefas das Iniciativas Nacionais são as seguintes:

  • Prospecção, certificação e fiscalização de empresas licenciadas ("licensees"). São empresas de comércio, empacotamento e/ou beneficiamento que comercializam produtos com o selo de Comércio Justo.
  • Apoio e orientação para o marketing dos licenciados e do varejo, além de oferecer sua rede de contatos de Comércio Justo.
  • Ações de informação e educação junto a entidades e pessoas que apóiam o movimento.
  • Ações de informação e conscientização junto ao consumidor final e à população em geral.

Além disso, as Iniciativas Nacionais também dão as diretrizes e contribuem para a definição dos critérios técnicos a serem usados pela FLO na certificação de produtos e processos. Os diagramas apresentados nos Quadros 1, 2 e 3 mostram como funciona o sistema de Comércio Justo e indicam quais são as funções de uma Iniciativa Nacional, a exemplo, neste caso, da Alemanha.



Quadro 1 - O Sistema do Comércio Justo

As Iniciativas Nacionais estão no centro de todo sistema, assumindo a principal parte dos trabalhos.

  1. Elas recebem recursos e apoio de seus associados.
  2. Ajudam a definir o critérios internacionais de certificação de produtos e produtores junto com à FLO.
  3. Realizam ações e campanhas de educação de seus associados.
  4. Atuam na conscientização do público consumidor, além desenvolver ações de lobby junto a órgãos governamentais.
  5. Prospectam licenciados para a fabricação de produtos, para os quais são concedidas as licenças de uso do selo de Fairtrade e que receberão o controle regular.
  6. Oferecem apoio e orientação para o marketing das lojas.

O lojista oferece uma gama de produtos (7) e o consumidor compra os produtos (8). O licenciado dá apoio de marketing às lojas (9) e paga o importador que, por sua vez, paga o produtor (10). Em contrapartida, o importador e os produtores se comprometem a seguir os critérios estabelecidos (11 e 12) em suas relações.

A FLO, depois de ter definidos os critérios, certifica e controla os produtores e os importadores (13 e 14).

Começando pelo produtor, o sistema financeiro do Comércio Justo funciona da seguinte forma:

O produtor recebe do importador o preço mínimo definido para sua mercadoria, além do Premium e, se for necessário, um financiamento para iniciar o plantio ou para antecipar a safra.

O importador vende o produto ao licenciado, quando não for ele mesmo, acrescentado de suas respectivas margens. O licenciado, então, vende o produto ao varejista, que recebe o preço final do consumidor.

O licenciado paga a taxa de licença à Iniciativa Nacional que, por sua vez, recebe as contribuições de seus associados e paga suas contribuições para o funcionamento da FLO.

Desde o final de 2003, a FLO e as Iniciativas Nacionais, em reuniões conjuntas com os grupos produtores que já participam do sistema, decidiram começar a cobrar uma taxa de certificação de novos produtores.

Quadro 2 - O Sistema financeiro


Quadro 3 - O Sistema de controle

 

Fonte:SEBRAE - Pesquisa Mundial de Comércio Justo - versão 2007